ALMOÇO
Na tarde de quarta feira
Eu e a mulher de cabelos loiros
Sentados a mesa
Somente arroz feijão e carne
Mas havia outras coisas
Não de comer
Mas de beber
Uma fonte, um selo e um amargo
Algo diferente pairava no ar
E em minha frente estava
Com uma toalha na cabeça
Meio sem entender nada
A dor, amor, eu sou
O selo da fonte límpida
O amargo da minh’alma
E o doce guardado
Um almoço simples
Mas algo grandioso guardara
Não para a mulher loira de toalha na cabeça
Mas guardava algo diferente
Algo que a gente sente, ou sentia
Mas guardado estava,
Não para loira mas para a distante mulher
Cuja cor era morena.
Wagner Fonseca

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